Diferença racial na Estenose Aórtica

Uma análise demográfica…

A estenose aórtica é a terceira cardiopatia mais frequente no mundo, perdendo apenas para hipertensão e doença coronariana. Alguns dos fatores que elevam sua prevalência são os fatores de risco concomitantes dessas doenças, como diabetes, doença renal crônica e dislipidemia. Por ser uma doença progressiva, a forma como a estenose evolui ainda é discutida, mas algumas publicações correlacionam com a presença desses fatores de risco e o tanto que estão descompensados.

Isso nos traz alguns questionamentos, pois determinadas raças têm manifestações distintas, tanto de prevalência, quanto de agressividade de determinadas comorbidades. Será que a estenose aórtica também se manifestaria distintamente entre as raças?

Algumas análises divididas por grupamentos raciais nos Estados Unidos, mostram que há um sub-diagnóstico em negros, asiáticos e latinos, agrupados como não-Bracos. Ainda em outras bases de dados, negros apresentavam menor incidência de valva aórtica bivalvular e parecem evoluir menos para quadros avançados de estenose calcífica.

Seguindo essa mesma tendência de sub-diagnóstico, demais raças, além da branca são menos submetidos a troca valvar cirúrgica em números absolutos. No entanto, ao se levar em consideração apenas aqueles portadores de estenose aórtica grave, os negros e latinos também foram menos referenciados para procedimento, podendo esse dado apontar mais para a diferença socioeconômica envolvida na distribuição de renda norteamericana e no status cognitivo educacional do paciente, que muitas vezes negava o procedimento.

Negros tem maior incidência de gravidade nas comorbidades associadas ao desenvolvimento de estenose aórtica, o que, muitas vezes os leva a apresentar escores de risco cirúrgicos elevados, fazendo alguns médicos declinarem da indicação nesses pacientes.

Quando analisamos o implante de TAVR, a disparidade financeira se pronuncia com repercussões grandes na incidência entre as raças. Brancos são muito mais submetidos ao TAVR do que negros, mesmo esses últimos sendo, em vários casos, mais graves do que os brancos. Estima-se que a chance de um portador de estenose aórtica ser encaminhado ao TAVR nos USA aumente em 10% para cada 10 mil dólares a mais na renda.

Uma vez tratados, tanto brancos como negros tem o mesmo desfecho evolutivo, mas raças não-brancas apresentam maior incidência de complicações peri- procedimento, provavelmente por serem mais graves no momento da cirurgia, devido o número de comorbidades mal acompanhadas e status financeiro inferior.

De forma geral, temos que as diferenças raciais mais apontam para as disparidades econômicas do que para as bases genéticas propriamente ditas, com a exceção do que falamos no primeiro parágrafo.

Literatura recomendada
1 – Wilson JB, Jackson LR 2nd, Ugowe FE, et al. Racial and Ethnic Differences in Treatment and Outcomes of Severe Aortic Stenosis: A Review. JACC Cardiovasc Interv. 2020 Jan 27;13(2):149-156.


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