Etiologias das valvopatias – parte IV

Diversas são as causas que podem gerar disfunção, ou funcionamento inadequado de uma valva cardíaca. No nosso país, por ser ainda predominantemente de baixa renda e com acesso inadequado a saúde, a principal causa ainda é a doença reumática, mas estamos acompanhando o surgimento de muitos pacientes com acometimento senil e até mesmo de origem congênita.

Etiologia congênita
A valvopatia congênita mais comum é a valvopatia aórtica bicúspide, ou mais adequadamente denominada de bivalvar. Trata-se de um acometimento da valva aórtica onde podemos encontrar a formação de uma valva bivalvar verdadeira com apenas duas válvulas ou na falsa, como fusão congênita de duas válvulas adjacentes surgindo uma rafe entre elas.

Nos indivíduos mais jovens, a disfunção de maior prevalência é a insuficiência aórtica, já naqueles que apresentam idade mais avançada, muitas vezes ocorre degeneração calcifica acelerada com o surgimento de estenose aórtica. Por apresentarem lesão durante toda a vida, esses indivíduos exibem hipertrofia ventricular mais exuberante quando diagnosticados como portadores da valvopatia em questão.

Todas as válvulas podem estar acometidas, podendo a rafe ser formada em qualquer topografia possível. Essas valvas são consideradas “falsas”, mas se comportam da mesma forma que a verdadeira e merecem acompanhamento semelhante.

Diante de um paciente com essa alteração valvar, devemos estar atentos a aortopatias associadas, como dilatações, aneurismas e coarctação. O aneurisma é uma dilatação acentuada da artéria aorta e pode evoluir para rotura ou dissecção. Já a coarctação é uma área de estreitamento na artéria aorta levando a uma estenose com surgimento de gradiente. Qualquer porção da artéria aorta pode estar acometida e o tratamento intervencionista é individualizado.

A ocorrência de endocardite infecciosa nesse grupo de pacientes também apresenta prevalência elevada e é uma complicação temida. No entanto, assim como no prolapso da valva mitral, na valvopatia aórtica bivalvar não há indicação de profilaxia pré-procedimento para endocardite.

Outro acometimento congênito valvar é a anomalia de Ebstein em que ocorre um deslocamento em direção ao ventrículo direito da valva tricúspide. Nesse caso ocorre a formação de um mega átrio direito e a valva rotineiramente apresenta-se com alguma alteração anatômica como um mega folheto ou o mesmo fundido à parede do ventrículo.

A disfunção mais comum é a insuficiência tricúspide e o acompanhamento é individualizado tendo a indicação de intervenção basicamente pela repercussão hemodinâmica nas câmaras direitas do coração.

A valva pulmonar também apresenta uma série de acometimentos congênitos, como por exemplo na tetralogia de fallot e da mesma forma que na anomalia de Ebstein, o acompanhamento deve ser individualizado e as indicações de intervenção baseadas em critérios específicos.

A valva mitral também pode ser acometida por alterações congênitas, destacando aqui a formação de clefts, que são fendas formadas na superfície dos folhetos e até mesmo casos mais severos como defeito do septo atrioventricular, cardiopatia congênita comum nos portadores de síndrome de Down.

Literatura recomendada

1 – Braunwald, Eugene. Tratado de medicina cardiovascular. 10ª ed. São Paulo: roca, 2017. v.1 e v.2.

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