Disfunção Sistólica no MitraClip

Uso do Strain

Pacientes com insuficiência mitral e indicação para intervenção com o uso do MitraClip tem sido muito estudados recentemente. Já com as primeiras publicações do EVEREST que trouxeram essa técnica para o tratamento da insuficiência mitral primária por prolapso e nas mais recentes sobre o tratamento da insuficiência funcional, entender os melhores perfis para serem tratados sempre foi um desafio.

O grau da regurgitação sempre foi importante, mas mais do que isso, compreender o ventrículo que lida com essa sobrecarga de volume parece ser o melhor caminho na busca de uma estratificação adequada de prognósticos.

Recentemente os conceitos de insuficiência mitral desproporcional levantaram discussões sobre o volume regurgitativo e o tamamho do VE, mas o Dr. Pibarot em recente aula nos brindou com uma visão algo diferente: As condições hemodinâmicas do VE são os parâmetros importantes e não o volume de sangue da IM.

Seguindo essa mesma linha, poderíamos lançar mão do uso de tecnologias que melhor enxergassem o poder contrátil do miocárdio e a real repercussão hemodinâmica causada.

Valendo-se do cálculo do strain longitudinal global, conseguimos enxergar uma possível disfunção sistólica que precede o impacto na fração de ejeção. É como se antecipássemos a presença da repercussão hemodinâmica antes que a FEVE caia a valores abaixo de 60%.

Como ainda não existe um padrão no valor de referência, fica difícil estabelecer um critério preciso, mas valores de strain abaixo de 15% nos apontariam para esse grupo de pacientes que apresentam disfunção sistólica subclínica e, portanto, evoluem com maior morbimortalidade.

De forma semelhante, valores de strain reduzido apontam para indivíduos que apresentam remodelação reversa prejudicada, podendo ser um grupo de pacientes que já teria passado do momento ideal para a intervenção.

Dessa forma, o uso do strain deveria ser incorporado na avaliação pré-procedimento de intervenção mitral transcateter, pois nos auxilia a entender melhor os resultados que estão por vir e até mesmo a explicar para pacientes e familiares o que esperar do tratamento proposto.

Literatura Sugerida:

1 – Fukui M, Niikura H, Sorajja P, et al. Identification of Subclinical Myocardial Dysfunction and Association with Survival after Transcatheter Mitral Valve Repair. J Am Soc Echocardiogr. 2020 Dec;33(12):1474-1480.


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