Disjunção de anel mitral

Já ouviu falar dessa patologia?

Muito provavelmente você já ouviu falar do prolapso da valva mitral que pode ocorrer em até 2% da população geral. Alguns desses indivíduos desenvolvem uma forma agressiva de doença, evoluindo com arritmias ventriculares malignas e até mesmo morte súbita. As causas que levam esses indivíduos a desenvolver essa variante agressiva são desconhecidas, mas já existem trabalhos correlacionando o quadro com degeneração extensa de ambos os folhetos, fibrose dos músculos papilares e mais recentemente à disjunção do anel mitral.

A disjunção é descrita como um deslocamento atrial superior no local de articulação, ou inserção no anel mitral, distanciando a base atrial do músculo do ventrículo esquerdo.

Um grupo norueguês publicou na consagrada revista do JACC um estudo demonstrando que a presença de disjunção estava correlacionada a arritmias ventriculares malignas, independente da presença de prolapso da valva mitral. A apresentação clínica mais comum é a queixa de palpitações correlacionada a ectopias ventriculares frequentes e, na ausência de outro fator que justifique a presença dessa arritmia ventricular, pode tratar-se da síndrome arritmogênica da disjunção do anel mitral.

Uma maior distância do miocárdio ao anel mitral na parede póstero-lateral esteve correlacionada a maior malignidade das arritmias e essa informação pode ser obtida na ecocardiografia, mas com maior acurácia, na ressonância do coração.

A concomitância do prolapso de valva mitral com refluxo mitral traz maior comorbidades ao quadro e o tratamento cirúrgico, em algumas séries, mostra que pode melhorar o prognóstico à longo prazo. No entanto, a correlação do refluxo mitral e até mesmo do prolapso da valva mitral com a disjunção ainda é incerto, sendo provavelmente a disjunção um precursor da doença mitral degenerativa mixomatosa. As áreas de maior distanciamento podem ser zonas de maior fragilidade mecânica, mas nem todos os portadores de disjunção irão evoluir com degeneração do aparato valvar.

A medida da fração de ejeção pelo método de Simpson pelo ecocardiograma deve ser realizada com cautela, pois a região que apresenta a disjunção não apresenta miocárdio e deveria ser excluída da análise. Dessa forma, algumas séries de casos demonstram uma queda na fração de ejeção nesses pacientes, mas podemos estar diante de um viés no cálculo desse valor. Atualmente a queda na FEVE está mais relacionada à concomitância com insuficiência mitral.

Literatura recomendada
1 – Dejgaard LA, Skjølsvik ET, Lie ØH, et al. The Mitral Annulus Disjunction Arrhythmic Syndrome. J Am Coll Cardiol. 2018 Oct 2;72(14):1600-1609.


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