Eco e Ressonância na IAo

Critérios discordantes

Temos falado no último mês sobre a utilização da ressonância na adequada avaliação da insuficiência aórtica. Vimos que a avaliação de dados volumétricos parece ser superior na ressonância, mas o padrão-ouro, ainda hoje, é a ecocardiografia. No entanto, diversas publicações têm colocado frente a frente os dois métodos nessa coorte.

Quando paciente manifesta sintomas, a decisão clínica é mais fácil e a diferença dos métodos não teria tanto impacto assim. Mas quando o paciente é assintomático, a grande preocupação reside na repercussão hemodinâmica e o impacto disso no longo prazo na fração de ejeção.

Aparentemente os métodos divergem quanto às medidas, sendo que o ecocardiograma subestima medidas quando comparado à ressonância. A mais importante descoberta recente talvez seja o poder de predição superior da ressonância.

A correlação entre medidas volumétricas e remodelamento reverso após o procedimento intervencionista foi maior com o uso da ressonância, apontando para aqueles que interveem precocemente um melhor resultado.

Diante das limitações da ecocardiografia, que já conhecemos muito bem, a existência de um viés do operador pode ser o responsável pela baixa concordância interobservador na maioria das publicações, mas também é inegável que um operador experiente consiga ótima correlação entre métodos e principalmente com desfechos.

A ecocardiografia superestima o grau de regurgitação, quando comparado à ressonância, sugerindo ser necessário um ajuste para os valores de corte desse método mais recente. Inicialmente valores de regurgitação de 40mL/bat e/ou 30% de fração regurgitante seriam valores adequados para a intervenção com bons resultados hemodinâmicos no seguimento, o que difere dos atuais valores encontrados na ecocardiografia.

Em resumo, a ressonância tem melhor definição espacial para a medida dos volumes, mas ainda carece de coortes maiores para definir os reais limites para indicação de intervenção. Também a escassez do método e o elevado custo são limitadores do uso indiscriminado em qualquer valvopatia. Ficamos com o ecocardiograma sendo o principal método e lançamos mão da ressonância nos casos duvidosos, mas já aponta para uma mudança nesse cenário no curto espaço de tempo… Estejamos preparados para o novo método!

Literatura Sugerida:

  1. Neisius U, Tsao CW, Hauser TH, et al. Aortic regurgitation assessment by cardiovascular magnetic resonance imaging and transthoracic echocardiography: intermodality disagreement impacting on prediction of post-surgical left ventricular remodeling. Int J Cardiovasc Imaging. 2020 Jan;36(1):91-100.


 Baixar Artigo

Deixe um Comentário

Privacidade e cookies: Este site usa cookies. Ao continuar no site você concorda com o seu uso. Para saber mais, inclusive como controlar cookies, veja aqui: Política de cookie

As configurações de cookies deste site estão definidas para "permitir cookies" para oferecer a melhor experiência de navegação possível. Se você continuar a usar este site sem alterar as configurações de cookies ou clicar em "Aceitar" abaixo, estará concordando com isso.

Fechar