Reparo valvar mitral

Experiência conta…

Não é segredo para ninguém que o treino é fundamental para atingirmos resultados excelentes. Na medicina e, principalmente, na cirurgia cardíaca isso também se aplica. O volume cirúrgico de determinados centros especializados em cirurgia valvar está diretamente relacionado aos resultados positivos e, obviamente, inversamente relacionado às complicações, tanto imediatas, quanto a longo prazo.

Fizemos uma publicação há alguns meses mostrando que centros que buscavam serem creditados para troca valvar transcateter deveriam sê-lo apenas se tivessem volume operatório de troca valvar convencional elevado e o mesmo parece se aplicar à correção valvar mitral.

Nos Estados Unidos foi conduzida uma grande análise populacional sobre o volume e os resultados de intervenção cirúrgica em insuficiência mitral primária por todo o país. A correlação entre demanda e eficácia ficou clara trazendo um valor de referência que devemos usar apenas para termos uma ideia: Um serviço para ser considerado de alta demanda deve operar 75 casos em 1 ano e o cirurgião para ter alto volume, algo em torno de 35 procedimentos por ano.

No entanto, analisando a população norteamericana, encontramos um dado interessante que nos coloca em alguma semelhança. Menos de 10% da população reside no raio de cobertura de serviços com essa elevada demanda, sendo que 81% reside em área de abrangência de serviços que operam menos do que 25 pacientes por ano.

Dessa forma vemos uma certa desigualdade de assistência médica, inclusive no país tido como modelo. E mais preocupante ainda é a corrida por acesso de hospitais não capacitados a tecnologias recentes como cirurgia robótica e/ou correção transcateter de valvopatias mitrais, ainda mais complexas que a aórtica.

Cardiopatia estrutural é complexa e demanda expertise de toda uma equipe multiprofissional. Além da simples construção de um Heart Team institucional, o volume assistencial e a presença de médicos intervencionistas, sejam eles hemodinamicistas ou cirurgiões, capacitados é decisivo na curva de morbimortalidade dos pacientes assistidos.

Literatura Sugerida:

  1. Badhwar V, Vemulapalli S, Mack MA, et al. Volume-Outcome Association of Mitral Valve Surgery in the United States. JAMA Cardiol. 2020 Jul 1:e202221.


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