Eco TE na intervenção

Aumentam os riscos?

O uso da ecocardiografia transesofágica trouxe para os procedimentos percutâneos uma série de informações anatômicas e funcionais que foram fundamentais para o desenvolvimento de diversos programas de tratamento de valvopatias.

No entanto, sabemos que o método não é isento de riscos e na atualidade, há uma tendência a uma abordagem minimalista com ecocardiografia transtorácica e sedação consciente, quando possível.

Durante o ato intervencionista, o risco de lesões pela sonda transesofáfica é ainda maior quando comparado à abordagem pré-operatória, muito provavelmente pela intensa manipulação ao guiar os cateteres intracardíacos.

Na grande maioria das intervenções em cardiopatia estrutural que são guiados pela ecocardiografia transesofágica, são encontradas lesões esofágicas, sendo que em 40%, as lesões são consideradas graves, como ulcerações, hematomas ou até lacerações. Procedimentos mais demorados e com janelas ecocardiográficas de pior qualidade apresentaram maior incidência de eventos, como era de se esperar.

O tipo de sedação também foi envolvido na incidência do evento. Em casos de sedações mais profundas, haveria abolição do mecanismo de peristalse e deglutição, aumentando o risco de lesões termoreguladas no esôfago.

O lado positivo disso é que a imensa maioria evolui de forma assintomática e tem o quadro revertido espontaneamente, sem aparente impacto clínico no seguimento. Mas vale ressaltar que o grupo de pacientes geralmente envolvido nos procedimentos é idoso e com elevada prevalência de comorbidades, incluindo elevada prevalência de anticoagulação oral em situações de alto risco para sangramento. Assim, desprezar o risco de complicações não é um caminho seguro.

Dessa forma, faz sentido a série de esforços atuais buscando uma abordagem minimalista, ou seja, menos invasiva. O uso de outras tecnologias, como imagens de fusão com tomografia, escopia e ecocardiografia traz maior chance de sucesso e redução do tempo do procedimento, sendo interessante nesse contexto de pacientes de alto risco para lesões esofágicas.

Aqui, mais uma vez ficamos com o conceito de risco benefício de determinada invasividade no tratamento da cardiopatia estrutural.

Literatura Sugerida:

  1. Freitas-Ferraz AB, Bernier M, Vaillancourt R, et al. Safety of Transesophageal Echocardiography to Guide Structural Cardiac Interventions. J Am Coll Cardiol. 2020;75(25):3164-3173.


 Baixar Artigo

Deixe um Comentário

Privacidade e cookies: Este site usa cookies. Ao continuar no site você concorda com o seu uso. Para saber mais, inclusive como controlar cookies, veja aqui: Política de cookie

As configurações de cookies deste site estão definidas para "permitir cookies" para oferecer a melhor experiência de navegação possível. Se você continuar a usar este site sem alterar as configurações de cookies ou clicar em "Aceitar" abaixo, estará concordando com isso.

Fechar