Quinolonas e Valvopatias

Correlação danosa!

Diversas publicações recentes sobre a correlação das fluoroquinolonas e eventos cardiovasculares assustaram os cardiologistas e infectologistas que tinham o hábito de prescrever essa classe medicamentosa sem muitas preocupações.

Após algumas investigações, viu-se que as quinolonas apresentavam poder de degradação do colágeno tipo I e III o que poderia levar a quadros como dissecção de aorta e até mesmo ruptura de tendões musculares.

Um relato de caso levantou a suspeita de que o uso desse antibiótico poderia levar a valvopatias, pois com 2 dias de uso de ciprofloxacino, um determinado paciente apresentou um quadro de prolapso de valva aórtica com insuficiência importante sem outra causa que justificasse o evento.

Assim, iniciou-se uma vasta pesquisa para tentar entender melhor essa correlação. Em uma análise de banco de dados norteamericano encontrou-se uma correlação positiva entre doenças valvares regurgitativas e o uso de quinolonas em até 60 dias. Valvopatias identificadas após 60 dias do uso do antibiótico não se mostraram correlacionadas ao uso das quinolonas.

Os mesmos trabalhos que demonstraram efeito da quinolona na artéria aorta também mostraram que ocorre um início agudo de lesão no colágeno, substância principal da composição estrutural das valvas cardíacas, trazendo plausibilidade a essa associação.

Dessa forma, embora pareça ser um evento adverso raro, ele existe e deve levantar questionamentos sobre o uso dessa classe medicamentosa. Talvez o melhor caminho seja não fazer uso naqueles pacientes com história de prolapso ou maior risco de evoluir com estágios avançados de prolapso e tentar buscar alternativas diante de um antibiograma para o tratamento de determinada infecção.

Também fica claro que, em caso de não haver alternativa, a quinolona está indicada no tratamento, devido aos riscos inerentes do tratamento inadequado do quadro infeccioso.

Literatura Sugerida:

  1. Etminan M, Sodhi M, Ganjizadeh-Zavareh S, Carleton B, Kezouh A, Brophy JM. Oral Fluoroquinolones and Risk of Mitral and Aortic Regurgitation. J Am Coll Cardiol. 2019;74(11):1444-1450.


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