Insuficiência Aórtica

Exame Físico

O exame físico da insuficiência aórtica é um dos mais ricos do ponto de vista semiológico. Diversos são os sinais periféricos que reproduzem, em determinados graus a intensidade do refluxo e a pressão arterial divergente.

A oscilação da cabeça a cada batimento recebe o nome de sinal de Musset, bem como podemos ver a pulsação da úvula, recebendo o nome de sinal de Muller, como a pulsação da íris, com nome de sinal de Landolfi. A pulsação visível no leito ungueal recebe o nome de sinal de Quincke.

O pulso é característico e denominado em martelo d’água, que apresenta distensão abrupta e rápido colapso, ocasionado pela elevada pressão arterial sistólica e baixa diastólica. Ele é melhor sentido na artéria radial com o membro do paciente elevado. Também podemos ter o pulso bisferiens, sendo mais percebido em artérias centrais, como carótidas e femorais.

Ao efetuar a ausculta da artéria femoral, dois sinais podem ser percebidos, o sinal de Traube ou pistol shot, que são ruídos tanto na sístole, quanto na diástole e o sinal de Duroziez, com sopro sistólico quando se comprime a artéria proximalmente e diastólico com compressão distal.

Durante a tomada de pressão arterial, os sons de Korotkoff muitas vezes persistem até o zero, embora a pressão intra-arterial caia a valores próximos de 30mmHg. O sinal de Hill, que é a grande diferença entre as medidas de pressão dos membros superiores para os inferiores não é mais considerado um sinal de insuficiência aórtica importante.

A inspeção do precórdio nos mostra um ictus aumentado e propulsivo, hiperdinâmico pela acentuada dilatação e hipertrofia excêntrica. Uma onda de enchimento ventricular rápida pode ser palpável na ponta do coração. Essa situação de hiperdinamismo leva ao balançar das artérias do pescoço, sendo também um sinal de insuficiência importante.

A ausculta cardíaca da insuficiência aórtica não costuma ser um grande desafio. O sopro diastólico aspirativo, melhor audível nos focos aórtico e aórtico acessório, também com o paciente sentado e levemente inclinado é de alta frequência e se inicia logo após o componente A2 da segunda bulha.

A gravidade da insuficiência se correlaciona melhor com a duração do sopro do que propriamente com sua intensidade. Sons musicais, em geral, traduzem perfuração ou eversão de folheto. Pacientes descompensados podem ter o sopro interrompido precocemente devido a equalização das pressões de enchimento de um ventrículo com elevada pressão diastólica final. Nesses casos, também podemos encontrar a presença de uma terceira bulha, mesmo sendo um desafio ouvi-la, já que o sopro pode incubrir.

O sopro de Austin-Flint é um sopro meso e telediastólico, audível na ponta do coração e com valva mitral estruturalmente normal. É comum ocorrer em quadros de insuficiência aórtica importante, em que o jato incide diretamente no folheto anterior da valva mitral, impedindo sua adequada abertura durante a diástole, ocasionando o surgimento do sopro. Não há indícios até o presente momento de que essa dificuldade de abertura gere repercussão hemodinâmica similar a uma estenose mitral.

Literatura sugerida:

1 – Otto CM, Bonow RO. A Valvular Heart Disease – A companion to Braunwald’s Heart Disease. Fourth Edition, 2014.

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