Estenose Mitral Reumática

Como evoluem os casos discretos?

A cardiopatia reumática ainda é muito prevalente nos países em desenvolvimento e a valvopatia mais comum nesse contexto é a estenose mitral reumática. No entanto, a gravidade da lesão pode variar de indivíduos que apresentam apenas discreto acometimento das comissuras até aqueles que necessitam de intervenção por importante redução da área valvar.

De acordo com os atuais guidelines, aqueles que reduzem a área valvar mitral abaixo de 1,5cm2 e apresentam sintomas, tem indicação clara de intervenção e, nesse caso, a valvotomia mitral com balão é classe I.

Mas e como evoluem os pacientes que inicialmente foram diagnosticados com estenose mitral discreta?

De forma geral, a doença parece evoluir diferente de indivíduo para indivíduo. Como se estivéssemos diante de uma predisposição genética pessoal, assim como existe uma predisposição a desenvolver febre reumática.

A grande maioria dos casos apresentam uma evolução indolente, com manutenção da gravidade no acompanhamento médio de 15 anos. No entanto, alguns evoluem de forma rápida e agressiva.

Além do componente genético que ainda não foi adequadamente estudado, aparentemente a condição social baixa também é fator de risco para essa evolução maligna.

A explicação para isso se da, provavelmente, por múltiplas infecções e recorrência de eventos agudos de febre reumática, levando a maior inflamação e fibrose das comissuras.

Essas populações se infectam com cepas mais agressivas e quase não há conscientização quanto à necessidade e os benefícios da profilaxia secundária. Além claro, da falta de medicamentos.

Observando a doença já consolidada, as complicações aparentemente se correlacionam com a gravidade da lesão valvar. Nesse ponto, entendemos então que a progressão da doença é que determina as complicações e seus desfechos. Assim, evolução indolente não previne as complicações, apenas as adia.

Literatura Sugerida:

1 – Bitan A, Mazor-Dray E, Weinstein JM, et al. Rheumatic Mitral Stenosis: Long-Term Follow-Up of Adult Patients with Nonsevere Initial Disease. Cardiology. 2020;145(3):155-160.


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