Insuficiência Mitral funcional

Perspectivas além do Mitraclip

A discussão sobre o tratamento intervencionista da insuficiência mitral já foi bem aprofundada aqui em nossa plataforma, em diversas postagens referentes a aspectos ecocardiográficos, características clínicas e conceitos técnicos intervencionistas. Que a insuficiência mitral funcional é complexa e derivada de disfunção de diversos componentes do aparado valvar não é mais novidade, mas trials que analisavam a intervenção, estavam muito limitados apenas ao dispositivo edge-to-edge (MitraClip).

A simples presença de regurgitação mitral em pacientes portadores de insuficiência cardíaca com redução da fração de ejeção é fator prognóstico negativo e diante disso, buscar corrigir ou mesmo diminuir o grau desse refluxo parece ser interessante.

Utilizando um device de anuloplastia percutânea, o Carillon, viu-se melhora substancial nos parâmetros hemodinâmicos e ecocardiográficos nos indivíduos submetidos a correção, ao longo de um ano. Houve remodelamento favorável com melhora no grau da regurgitação.

Critérios de melhora clínica também foram alcançados, como melhor capacidade ao esforço físico assinalado por prevalência de classe funcional I e II elevada, melhor desempenho no teste de caminhada de 6 minutos e questionários de qualidade de vida. No entanto, esses critérios também se apresentaram melhores no grupo controle, que era composto apenas por tratamento clínico otimizado.

Razões para não haver diferença estatística entre esses grupos quando analisadas variáveis clínicas foram levantadas, como ausência de cegamento dos pacientes. Surge o viés de questionamento em um paciente sabidamente participante de uma pesquisa institucional.

Esse trabalho se diferencia dos famosos COAPT e MITRA-FR, pois selecionou pacientes com grau de regurgitação de moderado em diante. Isso trouxe um questionamento interessante, pois o fato de não termos encontrado resultado positivo para mortalidade quando comparamos os grupos pode ser justificado por isso, afinal insuficiência mitral moderada, tradicionalmente não piora o prognóstico a ponto de justificar uma intervenção. Em contrapartida, a intervenção precoce, parece ter demonstrado efeito protetor na deterioração hemodinâmica, pois os parâmetros dos pacientes que sofreram intervenção foram bem superiores do que do grupo controle.

Como esse trabalho foi desenhado apenas para demonstrar o impacto hemodinâmico do procedimento, o mesmo grupo está acompanhando um coorte prospectiva durante 5 anos para poder analisar adequadamente o impacto em sobrevida e desfechos clínicos.

O que fica de interessante é que o tratamento focado no anel da valva mitral apresenta segurança e bons resultados hemodinâmicos, abrindo mais uma janela de oportunidades de tratamento para os pacientes portadores de insuficiência mitral funcional, além do bem divulgado Edge-to-Edge.

Literatura Sugerida:

  1. Witte KK, Lipiecki J, Siminiak T, et al. The REDUCE FMR Trial: A Randomized Sham-Controlled Study of Percutaneous Mitral Annuloplasty in Functional Mitral Regurgitation. JACC Heart Fail. 2019;7(11):945‐955.


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