Intervenção transcateter em valva pulmonar

Abordagem congênita…

A valva pulmonar raramente é mencionada nas postagens do thevalveclub, pelo fato de ser um campo de atuação mais adequadamente conduzido pelos especialistas em cardiopatias congênitas. No entanto, alguns leitores pediram e vamos abordar alguns aspectos dessa intervenção.

A grande maioria dos pacientes que se submetem a intervenção na valva pulmonar é jovem, estando muitas vezes na adolescência. Isso, por si só já traz uma preocupação, que é a exposição a doses de radiação no laboratório de intervenção. Por ser dose cumulativa e por serem necessárias algumas abordagens ao longo da vida, a radiação nessa fase da vida pode ser um ponto negativo na intervenção percutânea de uma disfunção da valva pulmonar.

Em uma coorte de mais de 500 pacientes, a grande maioria teve implantada uma prótese Melody na posição pulmonar e viu-se que os eventos adversos ocorriam em até 13% dos casos. A mortalidade peri-procedimento era baixa (<1%), mas a dose de radiação era considerável, quando comparada aos demais procedimentos da cardiopatia congênita. Embora a grande maioria apresentava normofuncionamento do device, uma reabordagem por hemodinâmica ou cirurgia convencional era quase sempre necessária, demonstrando a complexidade das lesões tratadas nesse campo de atuação.

A complicação mais comum era a lesão por cateter e de condutos, pela manipulação percutânea, mas a repercussão clínica desses eventos era discreta. Mal posicionamento ou embolização da prótese ocorriam, mas em taxas bem menores. Nesses casos, uma possibilidade era a abordagem a céu aberto, com maiores consequências evolutivas.

Pacientes com peso menor e com necessidade de procedimentos combinados eram os mais atingidos pela dose de radiação, pela simples razão de indexação à superfície corporal. Intervenção na valva pulmonar apresenta exposição pelo menos dobrada em relação aos demais procedimentos da cardiologia congênita.

O acompanhamento desses pacientes mostra bons resultados no curto prazo, embora 1 em cada 10 necessitassem de reabordagem dentro de um ano. Os pacientes que tinham maior incidência de reabordagem eram os mais jovens, com menor peso e trato de via de saída do VD menores. Vale ressaltar que uma das complicações encontradas foi a compressão de artéria coronária que estaria em contato com o tronco pulmonar. Alguns jovens abriam o quadro com disfunção sistólica do VE e a causa era isquêmica não por doença coronariana, mas por compressão externa.

De forma resumida, o tratamento percutâneo da valva pulmonar parece ser interessante, mas o número elevado de reintervenção no primeiro ano pode sinalizar para um tratamento incompleto e muitas vezes paliativo da cardiopatia em questão. Outro aspecto que deve ser considerado é a dose de radiação cumulativa nessa faixa etária, que poderia fazer repensar ou selecionar melhor o paciente que poderia ser beneficiado desse procedimento inventado para ser menos invasivo.

Literatura recomendada
1 – Goldstein BH, Bergersen L, Armstrong AK, et al. Adverse Events, Radiation Exposure, and Reinterventions Following Transcatheter Pulmonary Valve Replacement. J Am Coll Cardiol. 2020 Feb 4;75(4):363-376.


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