Medida da área valvar aórtica pela TC

É igual ao ecocardiograma?

A avaliação multimodalidade da estenose aórtica tem se tornado uma rotina, principalmente pela possibilidade de tratamento transcateter desses pacientes. Tornou-se padrão a realização de uma tomografia de coração para avaliar o complexo aórtico e, seguindo-se a isso, cálculos da área valvar aórtica pela tomografia começaram a ser realizadas.

No entanto, diversas vezes os valores não batiam exatamente com os encontrados pela ecocardiografia e em 25% dos casos, indivíduos classificados com estenose aórtica importante e, portanto, com área valvar menor do que 1 cm2 pela equação de continuidade apresentavam na tomografia valores maiores.

Uma das razões para essa discrepância está no método em si. A equação de continuidade nos da um cálculo da área valvar aórtica funcional, de forma extremamente simplista, pelas relações de velocidades de fluxo entre a via de saída do VE com o da válvula aórtica. Já o cálculo da mesma área pela tomografia ocorre pela planimetria tridimensional, nos trazendo, portanto, uma medida anatômica.

Analisando mais profundamente os métodos em si, percebemos que em consonância com o que estamos acompanhando recentemente no estudo da estenose aórtica, o conhecimento dos fluxos passa a ter papel fundamental. Indivíduos que apresentam fluxo elevado, por diversas razões, como volume sistólico elevado, etc, apresentam um cálculo da área valvar subestimado, ou seja, menor do que seria o anatômico.

Puxando de dados mais antigos do cálculo hemodinâmico pela equação de Gorlin, pacientes com gradiente médio de 40mmHg e com velocidade máxima de 4m/s apresentam respectivamente áreas de 0,75 cm2 e 0,8 cm2. Dessa forma, podemos realmente estar incluindo mais pacientes do que seria o adequado ao adotarmos uma área valvar < 1cm2 pela equação de continuidade.

Questões como o formato do orifício valvar deformado pela calcificação, medida incorreta da área da via de saída do VE e alterações dinâmicas da velocidade do fluxo ao longo do ciclo cardíaco também podem estar envolvidas nesses dados inconsistentes.

O que podemos entender dessas informações?

O ecocardiograma pode superestimar a gravidade da estenose aórtica, por essas questões descritas acima, mas a sintomatologia permanece ainda como fator decisivo. Diante de um caso oligossintomático, com área valvar limítrofe, uma avaliação combinada entre métodos é a melhor opção. Para auxiliar na sua decisão, porque não avaliar também o escore de cálcio da valva aórtica? Fica bem mais embasada a decisão clínica final.

Literatura recomendada

1 – Mittal TK, Reichmuth L, Bhattacharyya S, et al. Inconsistency inaortic stenosis severity between CT and echocardiography: prevalence and insights into mechanistic differences using computational fluid dynamics. Open Heart. 2019 Jul 29;6(2):e001044.


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