Medida da Hipertensão Pulmonar

O eco é suficiente?

A hipertensão arterial pulmonar é uma repercussão comum em doenças valvares e traz muita discussão, quando encontra-se aumentada. Desde situações onde o médico pensa em contraindicar alguma intervenção, até mesmo ao determinar prognóstico pior a determinado grupo de pacientes.

O padrão-ouro para a medida da pressão em tronco de artéria pulmonar é o cateterismo cardíaco do lado direito, pois consegue medir a pressão real dentro dessa cavidade. No entanto, trata-se de método invasivo e não isento de complicações.

Com o advento da ecocardiografia, foi difundido um método não invasivo que consegue estimar pressões intracavitárias através da velocidade do sangue. Isso é obtido através da equação de bernoulli modificada (4v2), mas como foi dito, trata-se de uma estimativa.

Muito se discute a respeito da correlação entre os métodos e se o uso da ecocardiografia seria suficiente para estimar o real valor da pressão arterial pulmonar. Diversos estudos foram conduzidos para tentar achar a devida correlação e os resultados são muito animadores. A medida ecocardiográfica através da velocidade do jato de regurgitação tricúspide traz uma sensibilidade e uma especificidade bem elevadas, em torno de 85-90% quando observada a grande maioria das publicações. O índice de correlação também é bem elevado, figurando em torno de r=0,90.

No entanto, o cardiologista que avalia o paciente deve estar atento a algumas limitações inerentes ao método. A equação de Bernoulli utiliza a velocidade do fluxo de sangue durante a sístole do ventrículo direito que regurgita para o interior do átrio direito. Dessa forma, ele estima a diferença de pressão entre essas cavidades. Diante de uma situação comum nas doenças valvares, uma falha de coaptação da valva tricúspide levaria a uma equalização das pressões entre o átrio direito e ventrículo direito, já que através do princípio físico básico de que câmaras comunicantes tendem a equalizar as pressões, veremos um valor alterado entre as cavidades.

Outro ponto que merece destaque é no indivíduo que não apresente nenhum refluxo tricuspídeo. Nesse caso, fica impossível estimar a diferença de pressão entre as cavidades, já que não há velocidade de refluxo a ser medida.

Ainda devemos ter em mente que o ecocardiograma é um método examinador-dependente, ou seja, o ecocardiografista deve respeitar as orientações técnicas básicas para obter uma medida confiável, como por exemplo, alinhar o jato de refluxo à linha de orientação do doppler contínuo, já que desvios maiores do que 20 graus levam a erros de pelo menos 6% nos valores estimados.

Levados esses detalhes em consideração, a ecocardiografia é um método não invasivo excelente para a estimativa da pressão de artéria pulmonar, servindo adequadamente para a avaliação pré-operatória, bem como para a estimativa de prognóstico e desfechos em população de portadores de valvopatias.

Literatura recomendada

1 – Sohrabi B, Kazemi B, Mehryar A, et al. Correlation between Pulmonary Artery Pressure Measured by Echocardiography and Right Heart Catheterization in Patients with Rheumatic Mitral Valve Stenosis (A Prospective Study). Echocardiography. 2016 Jan;33(1):7-13.


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