Mitral na Hipertrófica

Não se esqueça da Mitral

Pacientes que desenvolvem a miocardiopatia hipertrófica têm elevada incidência de eventos arrítmicos severos, podendo, inclusive, evoluir com morte súbita de acordo com uma série de fatores prognósticos específicos.

De forma geral, os olhares dos cardiologistas ficam direcionados para avaliações de hipertrofia septal, provável fibrose e até mesmo na obstrução da via de saída do VE. Poucos se lembram de como se comporta a valva mitral nesse subgrupo de pacientes.

De forma geral, a manifestação mais comum da valva nesse momento é o movimento anterior da valva mitral, ou SAM. Esse fenômeno ocorre basicamente pela hipertrofia septal que gera uma aceleração do fluxo, associado a uma alteração anatômica do músculo papilar e certo alongamento tendíneo do folheto anterior.

Alguns pacientes com MCPH apresentam uma banda muscular anômala próxima a FIMA, o que altera o posicionamento da valva mitral, aproximando-a do septo que é anterior.

Recentemente uma teoria diferente tem enfrentado nosso conceito de efeito venturi causado pelo septo hipertrofiado. As alterações anatômicas citadas acima, associado a um direcionamento diferente do fluxo intraventricular ocasionado pelo septo hipertrofiado, fazem o jato de sangue se chocar em um local diferente da valva mitral, trazendo-a para mais próximo da via de saída e levando ao SAM.

Baseado nessa concepção, a cirurgia de miectomia sofreu alterações e além da abordagem isolada do septo interventricular, é realizada uma ressecção estendida em direção ao ápice, criando um pertuito no VE para que o fluxo não colida com a valva mitral.

Cirurgiões experientes podem também abordar a valva mitral diretamente com ressecção de cordas extras e até mesmo plastia mitral com o objetivo de manter a coaptação adequada, mas reposicionar espacialmente o aparato.

Dessa forma, diante de um paciente portador de miocardiopatia hipertrófica, além das preocupações arrítmicas citadas, procurar aqueles com obstrução da via de saída não deve apenas se limitar ao gradiente, mas também às possíveis repercussões causadas na valva mitral que pode ser transitória em determinadas condições hemodinâmicas que tornam o VE menor.

Literatura Sugerida:

1 – Sherrid MV, Adams DH. The Mitral Valve in Hypertrophic Cardiomyopathy: Other Side of the Outflow Tract. J Am Coll Cardiol. 2020 Nov 10;76(19):2248-2251.


 Baixar Artigo 

Deixe um Comentário

Privacidade e cookies: Este site usa cookies. Ao continuar no site você concorda com o seu uso. Para saber mais, inclusive como controlar cookies, veja aqui: Política de cookie

As configurações de cookies deste site estão definidas para "permitir cookies" para oferecer a melhor experiência de navegação possível. Se você continuar a usar este site sem alterar as configurações de cookies ou clicar em "Aceitar" abaixo, estará concordando com isso.

Fechar