Insuficiência Mitral

A Insuficiência Mitral conceitualmente é a falha da valva mitral em impedir que o sangue retorne para o interior do átrio esquerdo durante a sístole. Fisiologicamente, as valvas átrio-ventriculares apresentam naturalmente um escape pequeno, não necessariamente devendo ser classificado como patológico. Quando o volume regurgitante se torna maior e, principalmente, quando há disfunção no adequado funcionamento do aparato mitral, temos a valvopatia.

 

Tratamento Clínico

A etiologia primária da insuficiência mitral não apresenta evidência de que o tratamento clínico tenha algum impacto positivo acima da intervenção. Assim sendo, o uso de medicamentos nesses pacientes deve se limitar a ser ponte para uma adequada intervenção, seja ela qual for.

Única exceção são os casos considerados paliativos em que o uso desses medicamentos ocorre basicamente do ponto de vista sintomatológico, sendo difícil entender se há algum benefício de sobrevida em alguma classe específica.

Nos pacientes com insuficiência mitral de etiologia funcional, a conversa é um pouco diferente. Até bem pouco tempo atrás, não havia evidências de que a intervenção fosse superior ao uso de tratamento clínico otimizado. Mas para entender isso, devemos entender o que seria esse tratamento clínico. Como são pacientes que na grande maioria dos casos são portadores de miocardiopatia dilatada e queda na fração de ejeção, o uso de medicamentos que aumentam a sobrevida na insuficiência cardíaca é imperioso.

Doses máximas toleradas de iECAs e betabloqueadores cardiosseletivos devem ser empregadas, associada a uma mudança no estilo de vida com baixa ingesta hidrossalina. Em caso de congestão sistêmica o uso dos diuréticos de alça é indicado e na presença de sintomatologia mais exuberante, o antagonista da aldosterona também tem seu papel.

Terapias coadjuvantes como ressincronização e implante de CDI, quando indicados devem ser realizadas com clara melhora da sobrevida nesses casos.

Em todos os casos, apesar de terem surgidas novas evidências de intervenção nesse grupo de pacientes, o uso desse tratamento rígido e otimizado é fundamental para atuar na melhora de sobrevida e também da qualidade de vida dos portadores de insuficiência mitral funcional.

Literatura sugerida:

1 – Otto CM, Bonow RO. A Valvular Heart Disease – A companion to Braunwald’s Heart Disease. Fourth Edition, 2014.

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