PHT na Insuficiência Aórtica

Prático, mas pobre…

A identificação de uma insuficiência aórtica pela ecocardiografia talvez tenha sido a primeira vez que o método diagnosticou uma valvopatia. Ao ver o jato incidindo, durante a diástole, no folheto anterior da mitral, o modo M apontava a existência de uma disfunção valvar de forma objetiva.

Com a evolução do método, vieram outras avaliações como o uso do pressure half time, ou PHT, demonstrando clara correlação entre o tempo que o refluxo gastava para retornar à cavidade anterior e o grau desse.

Assim, valores de tempo baixo (PHT < 200ms) apontavam para indivíduos com elevado volume regurgitativo, portanto, com insuficiência aórtica importante. No entanto, o método tem suas limitações como por exemplo uma resistência vascular periférica ou uma disfunção diastólica de grau avançado no VE, ambos capazes de alterar o tempo dessa regurgitação, independente de sua gravidade.

O interessante de diversos métodos de imagem é que alguns deles se prestam não apenas a dar diagnóstico, mas podem ser considerados verdadeiros marcadores de gravidade, estimando prognóstico. 

Sob essa perspectiva, ao observar o comportamento do PHT na insuficiência aórtica, tiramos algumas conclusões interessantes.

Aparentemente não há correlação entre a gravidade do PHT e mortalidade nesse grupo de pacientes. Alguns achados sugerem que valores abaixo de 320ms apontam para grupos com elevado risco de morbimortalidade, mas em uma análise secundária, viu-se que essa correlação não se mantinha quando era corrigida para a função diastólica.

Assim, pacientes com insuficiência aórtica mesmo discreta, mas com PHT abaixo de 320ms devem apresentar disfunção diastólica de grau avançado, embora isso deva ser confirmado por outros métodos.

Isso gera a compreensão de ouvirmos rotineiramente nos laboratórios de ecocardiografia de que o método PHT é limitado para a avaliação da insuficiência aórtica e que só é específico para indivíduos com valores altos, ou seja, acima de 400-500ms.

Pacientes que apresentem valores baixos devem ter investigação mais aprofundada com outros parâmetros que avaliam a gravidade de uma insuficiência, pois o método é simples, mas sofre interferência de muitos outros fatores hemodinâmicos do paciente.

Na insuficiência aórtica, o PHT serve de diagnóstico, mais precisamente de um bom triador daqueles que, tendo regurgitação, devem ter a investigação aprofundada para determinarmos a real gravidade, muito além do que simplesmente um valor de PHT sem observarmos os parâmetros concomitantes.

Literatura Sugerida: 1 – Strom JB, Gelfand EV, Markson LJ, et al. Relation of Transthoracic Echocardiographic Aortic Regurgitation to Pressure Half-time and All-Cause Mortality. Am J Cardiol. 2020 Nov 15;135:113-119.

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