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Profilaxia – Parte III

Talvez seja essa a parte mais importante da nossa temporada, pois aqui está a medida que causa maior impacto no controle da febre reumática. Tanto é que aqui reside a intervenção que pode, inclusive, erradicar essa doença do planeta e poucas afecções importantes têm essa brecha.

Assim, essa é a última das 3 postagens que preparamos, para que você leia com calma cada uma delas e compreenda os detalhes. E o mais impressionante, aqui encerramos a quinta temporada do “Valve Basics”… Semana que vem teremos assunto novo!

Uma vez que a doença tenha ocorrido, parte-se para a profilaxia secundária, ou seja, evitar que um novo surto de febre reumática ocorra em um indivíduo que já teve uma vez. 

O objetivo aqui é claro, evitar que as possíveis complicações que tenham surgido na primeira vez se agravem ainda mais em uma segunda ocorrência, ou que agora surjam sequelas que antes, por “sorte genética” ainda não haviam se manifestado.

O uso da antibioticoterapia a longo prazo é o melhor método para realizar essa profilaxia, pois assim a bactéria não conseguirá se desenvolver a causar a infecção. A recomendação é que seja aplicada Penicilina G Benzatina de 21 em 21 dias, pela via intramuscular para mantermos os níveis séricos adequados.

Regiões onde a densidade da infecção é muito elevada, recomenda-se que a administração do antibiótico seja feita de 15 em 15 dias para manter os níveis ainda mais elevados, evitando de qualquer forma um vale que propicie uma infecção.

Além de exterminar a presença dessas bactérias, algumas publicações levantam a hipótese de que pode haver algum efeito imunomodulador com o uso desse medicamento, embora ainda sejam dados muito frágeis. Mas sabe-se que a simples colonização e indivíduos predispostos poderia ser deletéria, logo, a profilaxia resolveria também esse grupo de pacientes.

Em casos de acometimento, mas sem cardite, recomenda-se uso por 5 anos ou até os 21 anos. Em caso de cardite leve, a recomendação se alarga para 10 anos ou até 21 anos. Já naqueles com envolvimento moderado a grave, a recomendação é até os 40 anos ou até mesmo para sempre, a depender do risco de desenvolvimento de novos surtos.

Para fecharmos nossa temporada vale uma reflexão que vivemos recentemente em nosso país. Em diversos serviços houve relatos de falta de disponibilidade de Penicilina G Benzatina para administração aos pacientes. O motivo? Aparentemente a indústria farmacêutica não tinha muito interesse em investir nessa produção, pois o custo para desenvolvimento frente ao valor de mercado não compensaria.

Frente a isso, diversos indivíduos não tiveram suas faringoamigdalites adequadamente tratadas e outros tiveram seus cursos da profilaxia secundária interrompidas podendo ter levado a novos surtos.

Nem temos a pretensão de discutir aqui aspectos políticos dessa situação, mas temos que entender que, uma doença que causa tanto impacto na economia e na sociedade não pode ser tão negligenciada assim, visto que uma medida clara e direta como a manutenção da oferta dessa medicação é crucial no controle e possível erradicação da febre reumática.

Literatura Sugerida:
1 – Braunwald, Eugene. Tratado de medicina cardiovascular. 10ª ed. São Paulo: roca, 2017. v.1 e v.2.

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