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Próteses em Gestantes

Próteses em Gestantes

Morbidade elevada

A doença valvar não é tão comum em mulheres gestantes, mas em casos de acometimento valvar grave, os desfechos costumam não ser muito positivos. Diante dessa premissa, mulheres em idade fértil que tenham valvopatia de grau avançado devem ser abordadas antes de uma possível gestação.

Uma vez que ocorra o planejamento de intervenção, a discussão sobre qual a forma de abordagem deve ser levada, preferencialmente, em ambiente de Heart Team, pois, em casos de plástica impossível, deve-se optar por implantar uma prótese biológica ou mecânica, com suas vantagens e desvantagens inerentes.

Próteses mecânicas demandam uma necessidade de anticoagulação contínua, agregando riscos materno-fetais, inclusive riscos de teratogênese.

Já as próteses biológicas, podem ficar sem o uso de anticoagulantes, mas diante de um metabolismo acelerado da gestante e, rotineiramente, serem pacientes jovens, não é incomum presenciarmos uma deterioração acelerada do dispositivo com necessidade de reabordagem logo após o período gestacional.

Em uma análise retrospectiva com quase 12 mil gestantes acompanhadas num período de 25 anos nos mostrou um aumento de implante de biopróteses em detrimento das próteses mecânicas, que foram correlacionadas a elevadas taxas de perdas fetais, partos prematuros e complicações hemorrágicas no parto.

A análises também trouxe um curioso achado. Aparentemente, tanto portadoras de próteses mecânicas, quanto biológicas, apresentavam alta taxa de necessidade de reabordagem cirúrgica em até 1 ano, principalmente quando o acometimento se dava na posição mitral.

Os mecanismos de disfunção protética são diferentes, mas podem ser claramente compreendidos. As próteses biológicas experimentam um efeito prejudicial do metabolismo acelerado das gestantes. Já as próteses mecânicas costumam apresentar disfunção secundária a trombose de elementos móveis, visto a necessidade de interrupção do uso de anticoagulantes no parto e do estado pró-trombótico materno, fisiológico durante a gestação. Alguns achados chegam a reportar quase 5% de incidência de trombose de prótese mecânica nas gestantes.

Assim, a posição mitral acaba sendo a mais afetada, tanto no contexto de prótese biológica quanto da mecânica.

No atual momento da cardiopatia estrutural e visto os avanços dos métodos diagnósticos, uma abordagem mais abrangente e pragmática de gestantes com próteses poderia elevar substancialmente o número de diagnósticos e até mesmo, ampliar nosso conhecimento sobre a evolução desses dispositivos.

Assim, compreender que a doença cardíaca estrutural tem impacto negativo, principalmente se mal conduzida, pode ser crucial na sobrevida materno-fetal em gestantes que passem por nossa avaliação. Uma vez diagnosticada, devemos estar preparados para propor um tratamento e saber lidar com possíveis complicações.

Literatura Sugerida: Batra J, Itagaki S, Egorova NN, Chikwe J. Outcomes and Long-term Effects of Pregnancy in Women With Biologic and Mechanical Valve Prostheses. Am J Cardiol. 2018 Nov 15;122(10):1738-1744.

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