Qualidade de vida no TAVR

Insights do PARTNER 3

Desde a última década, o benefício do TAVR na melhora de sobrevida, tanto nos pacientes de alto e intermediário riscos estavam bem definidos. Recentemente houve a publicação dos trabalhos em pacientes com baixo risco cirúrgicos e nas análises de desfechos, encontramos ao menos não inferioridade em relação ao procedimento cirúrgico convencional.

No entanto, além de melhorar a sobrevida, os procedimentos realizados nessa faixa etária buscam, primordialmente, melhorar a qualidade de vida, já que muitos são octagenários e não esperamos grandes cifras no aumento do tempo de vida.

Trabalhos antigos mostravam que pacientes submetidos a TAVR apresentavam melhora na qualidade de vida já no curto prazo, o que não era encontrado nos procedimentos convencionais de troca valvar aórtica. Mas no longo prazo, a qualidade de vida de ambos os métodos, ficavam iguais. Uma subanálise do PARTNER 3 nos mostrou algo diferente.

A melhora de qualidade de vida dos pacientes submetidos a TAVR e que tinham baixo risco cirúrgico ocorreu em fases precoces e, diferente das demais publicações, ela se manteve acima do procedimento convencional ao longo de 1 ano. Embora a diferença tenha sido pequena e não ultrapassasse 2 pontos no questionário KCCQ-OS, em valores estatísticos, foi encontrada significância.

Um dos fatores que podem estar contribuindo para essa diferença é que em pacientes de baixo risco cirúrgico, o procedimento menos invasivo cause praticamente nenhuma complicação, potencializado pela melhora técnica dos intervencionistas e do material utilizado, como cateteres menos calibrosos e próteses com melhor performance hemodinâmica.

Àqueles que evoluíam com fibrilação atrial pós-procedimento, sangramentos graves ou acidente vascular cerebral apresentavam pontuações no escore de qualidade de vida abaixo da média, o que era de se esperar. Diante disso, o procedimento convencional apresenta maiores incidências dessas complicações, o que pode ter pesado na análise final.

Ressalta-se que pacientes com piores classes funcionais antes do procedimento foram os mais beneficiados quanto a qualidade de vida, tanto no curto, quanto no longo prazo, evidenciando que deve haver um subgrupo dentro dos pacientes de baixo risco cirúrgico que se beneficie ainda mais do procedimento menos invasivo.

Cabe aqui uma ressalva: Pacientes submetidos a TAVR apresentam uma tendência maior a elogiar o procedimento, visto ser mais novo e considerado mais tecnológico. Esse viés foi levado em consideração e o fato de ter perdurado o efeito por mais de 1 ano, fala contra ter sido isso a justificativa da melhora de qualidade de vida no TAVR em relação ao procedimento convencional.

Literatura Sugerida:

1 – Baron SJ, Magnuson EA, Lu M, et al. Health Status After Transcatheter Versus Surgical Aortic Valve Replacement in Low-Risk Patients With Aortic Stenosis. J Am Coll Cardiol. 2019;74(23):2833–2842.


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