Sarcopenia em pacientes com estenose aórtica

Clara piora de prognóstico

A estenose aórtica vem sendo estudada extensivamente desde o advento do TAVR em 2002 com a equipe do professor Cribier. Desde então, algumas comorbidades associadas foram correlacionadas a um pior desfecho nesse grupo de pacientes, como DPOC, elevados níveis de hipertensão arterial pulmonar e disfunção sistólica do ventrículo direito.

A fragilidade em pacientes idosos já era conhecida como preditor de desfechos negativos em procedimentos cirúrgicos convencionais, inclusive levando a contraindicação de diversos deles. Com a expansão dos procedimentos percutâneos, o estudo dos pacientes portadores de síndrome de fragilidade ganhou mais notoriedade e critérios de sarcopenia passaram a ser valorizados.

A sarcopenia é uma síndrome geriátrica de descrição recente, muito relacionada a pacientes com fragilidade aumentada. Embora a definição ainda apresente alguma controvérsia na literatura, a sarcopenia ocorre em pacientes com perda de massa e força muscular. É um indicador de envelhecimento biológico com correlação estabelecida a condições sistêmicas como caquexia, desnutrição crônica e estados inflamatórios avançados.

Uma forma objetiva de avaliar a sarcopenia está na tomografia computadorizada de abodme que quantifica a massa muscular de forma precisa. No entanto, trata-se de método com algum risco como uso de contraste e radiação ionizante. Assim, recentemente alguns critérios clínicos para avaliar a sarcopenia estão sendo desenvolvidos como análise de força de preensão palmar, etc.

Em pacientes que se submeteriam a TAVR, foi feita uma análise da prevalência de sarcopenia e dos desfechos, apontando que até 2/3 dos pacientes fechavam critérios para essa condição. Desses, a maioria eram homens e apresentavam pior prognóstico de sobrevida a longo prazo do que os não sarcopênicos.

Apesar disso, foi visto que o TAVR foi procedimento seguro nessa população, indicando que um programa de reabilitação e nutrição em pacientes com diagnóstico fechado ou aqueles vulneráveis possa ter impacto positivo nesses casos. Recentemente falamos sobre a correlação da reabilitação cardíaca e pacientes portadores de valvopatia, vale a pena conferir aqui na plataforma.

Devemos salientar que a sarcopenia acaba sendo um processo natural do envelhecimento, principalmente acima dos 60 anos, momento em que é normal termos uma perda de cerca de 3% da massa muscular por ano. O que devemos ficar atentos são a situações que potencializem essa perda muscular e, quando necessário, intervir para evitar essa condição.

Pacientes que são candidatos a TAVR, de forma rotineira, realizam tomografia abdominal para análise das vias de acesso. Dessa forma, sem custo adicional algum ou aumento na exposição de risco ao paciente, a análise da massa muscular pode ser feita de forma rotineira também para orientar melhor aqueles casos que demandariam de maiores cuidados quanto ao balanço nutricional e inscrição em programas de reabilitação, mesmo no pré-operatório.

Literatura recomendada

1 – Heidari B, Al-Hijji MA, Moynagh MR, et al. Transcatheter aortic valve replacement outcomes in patients with sarcopaenia. EuroIntervention. 2019 Oct 20;15(8):671-677.


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