Septo em Sigmóide

No contexto da Estenose Aórtica

Pacientes que desenvolvem estenose aórtica, passam a lidar com uma sobrecarga de pressão no ventrículo esquerdo. Isso faz com que um processo adaptativo seja iniciado cursando com hipertrofia miocárdica.

No entanto, alguns pacientes reagem diferente a esse estímulo hipertrófico e determinadas regiões da parede ventricular podem apresentar hipertrofias em graus distintos.

Alguns casos de estenose aórtica evoluem com a formação de um septo interventricular em sigmoide, com marcada hipertrofia mais pronunciada na porção basal do septo interventricular, podendo, inclusive, gerar gradiente na via de saída do ventrículo esquerdo.

Um dos problemas que essa alteração anatômica pode nos trazer é uma medida inadequada da massa ventricular. A ecocardiografia usa uma fórmula a partir do valor da espessura dos segmentos basais das paredes ventriculares. Assim sendo, o método ecocardiográfico superestima o valor da massa ventricular nos casos de adaptação com esse formato.

Partindo da ideia de que a ressonância é o método padrão-ouro para a medida da massa ventricular, medidas ecocardiográficas nos segmentos médios das paredes parecem se correlacionar melhor em pacientes portadores de estenose aórtica.

Outro fator complicador nessa correlação é que a fórmula empregada se vale da ideia de um ventrículo elipsoide, o que na estenose aórtica, muitas vezes está alterado.

Em casos selecionados com formação de gradiente na via de saída, a utilização da equação de continuidade para estimar a área valvar passa a ser um grande desafio, pois isolar a região da via de saída para o cálculo pode ser impossível pela ecocardiografia.

Dessa forma, a presença de um septo em sigmoide, pode ser uma alteração esperada na estenose aórtica, mas temos que conhecer a limitação dos métodos utilizados para podermos traçar adequadamente os prognósticos. Saber que temos uma hipertrofia do VE faz com que vejamos um prognóstico pior, mas será que foi adequadamente estimada essa massa ventricular?

Literatura Sugerida:

1 – Guzzetti E, Tastet L, Annabi MS, et al. Effect of Regional Upper Septal Hypertrophy on Echocardiographic Assessment of Left Ventricular Mass and Remodeling in Aortic Stenosis. J Am Soc Echocardiogr. 2021 Jan;34(1):62-71.


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