TAVR e cognição

Há melhora?

Desde a revolução que o uso do TAVR trouxe para a valvopatia, muito se tem estudado o paciente idoso portador de estenose aórtica. O que inicialmente era uma terapia de resgate e quase que limitada a pacientes inoperáveis, hoje se transformou em alternativa muito interessante inclusive para pacientes de baixo risco cirúrgico.

Provavelmente o leitor já deve ter se deparado com situações de idosos frágeis, em que o seu médico assistente acaba por contraindicar determinada cirurgia cardíaca por acreditar que existe grande chance de o paciente apresentar queda no padrão cognitivo e isso impactar negativamente na qualidade de vida do idoso.

Sobre ganho na qualidade de vida e fragilidade, recentemente discutimos aqui na nossa plataforma, mas e sobre o padrão cognitivo especificamente?

As grandes coortes que comparam TAVR com cirurgia convencional apontam para a equivalência no desfecho mortalidade e AVC incapacitante. No entanto, diversas publicações sinalizam um risco maior de evento cerebrovascular silenciosos nos pacientes submetidos a TAVR devido a desprendimento de debris de cálcio nos grandes vasos durante a passagem de guias e introdutores.

Apesar de imagens do sistema nervoso central apontarem para possíveis eventos embólicos, a análise do padrão cognitivo dos pacientes submetidos a TAVR no curto prazo mostrou melhora significativa, muito provavelmente devido a melhora perfusional por solução da pós-carga elevada de forma fixa. A única variável que manteve-se independente nesse contexto foi a idade do paciente, mostrando que eventos embólicos silenciosos não teriam impacto negativo na melhora do padrão cognitivo.

Os pacientes que mais se beneficiavam da melhora do padrão cognitivo, eram exatamente aqueles que apresentavam queda desse quesito antes do procedimento. Mais de 1/3 dos pacientes com déficit cognitivo pré-procedimento experimentaram melhora clinicamente significativa logo após, apontando que esse não deveria ser um critério de exclusão para pacientes candidatos a TAVR.

Nos casos em que há queda do padrão cognitivo, principalmente memória antiga e raciocínio construtivo visual foram itens os afetados. Esses dois critérios estão intimamente relacionados a demência vascular, apontando para o fato de que em alguns indivíduos, os fenômenos embólicos podem ter algum impacto clínico relevante. Entender esse subgrupo pode ser uma ferramenta importante para buscar alternativas de proteção, como devices que filtram (embora ainda não haja benefício comprovado) e até mesmo a possibilidade do uso de anticoagulante oral, que em algumas revisões, mostrou-se protetor de eventos embólicos centrais.

Chama-se atenção para pacientes submetidos a TAVR que manifestam delirium no pós-operatório imediato. Algumas publicações no campo da geriatria correlacionam o delirium, que é um evento agudo, com queda cognitiva a longo prazo, carecendo ainda de pesquisas direcionadas a isso nos pacientes submetidos a TAVR.

Literatura Sugerida:

1 – Gu S, Coakley D, Chan D, et al. Does Transcatheter Aortic Valve Implantation for Aortic Stenosis Impact on Cognitive Function? Cardiol Rev. 2020;28(3):135‐139.


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