Alargamento dos folhetos

Adaptação na IM funcional

Discutimos previamente aqui no nosso site, que a insuficiência mitral funcional é uma doença complexa, que envolve diversas topografias do complexo valvar mitral, sendo cada um responsável por determinada manifestação que impacta diretamente no grau do refluxo.

Em alguns experimentos, foi visto que os folhetos da valva mitral, diante de uma situação de um aumento das dimensões do ventrículo esquerdo e tração secundária, apresentavam alargamento de suas superfícies de forma adaptativa, para tentar reduzir o grau de regurgitação. No entanto, mesmo que o grau de dilatação fosse o mesmo, a etiologia que gerou a insuficiência mitral apresentava comportamento distinto quanto a essa mudança adaptativa.

Quadros de regurgitação aórtica levaram a grandes dilatações ventriculares, mas nesses casos, houve rápido alargamento das cúspides da valva mitral. Isso em diversas vezes evitou o surgimento de insuficiência mitral significativa durante o primeiro mês de sobrecarga volêmica secundária a insuficiência aórtica. No entanto, quadros secundários a miocardiopatia isquêmica não apresentaram o mesmo grau de adaptação, independente do tamanho do processo isquêmico, apontando para algum componente sistêmico, possivelmente inflamatório que exercia efeito bloqueador na distensão adaptativa.

Corações explantados de modelos animais demonstraram que àqueles que tiveram doença isquêmica provocada, apresentavam na histopatologia da valva mitral, componente fibrótico que provavelmente dificultava o processo adaptativo. Já naqueles com insuficiência aórtica, a estrutura do folheto era preservada e raramente, em fase compensada, apresentavam graus significativos de refluxo.

O mesmo aspecto histopatológico foi encontrado na valva tricúspide, naqueles que apresentavam miocardiopatia isquêmica, o que sugere fortemente que haja algum componente humoral com repercussão sistêmica, levando a esse aspecto de fibrose e espessamento valvar, que inibe a resposta adaptativa de alargamento do folheto diante de uma tração devida a dilatação ventricular.

Provavelmente estamos entendendo que a doença mitral secundária, além de sofrer influência direta das alterações anatômicas de diversas estruturas, também sofre impacto da etiologia da distensão ventricular. A valva mitral é tão mais complexa, quanto mais se estuda…

Literatura Sugerida:
1 – Marsit O, Clavel MA, Côté-Laroche C, et al. Attenuated Mitral Leaflet Enlargement Contributes to Functional Mitral Regurgitation After Myocardial Infarction. J Am Coll Cardiol. 2020;75(4):395–405.


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