Tratamento

Tratamento Clínico

Assim como na estenose aórtica, na insuficiência aórtica, o tratamento clínico nunca deve postergar uma indicação de intervenção. Por mais que não haja interferência direta na curva de evolução da valvopatia, as outras comorbidades que de uma forma ou de outra interferiram na evolução da doença devem ser tratados, ressaltando a hipertensão arterial, que pode ser a causa da dilatação da raiz da aorta e deve ter controle rigoroso. Mas devemos lembrar que essa medida não terá impacto na valvopatia em si e nem deve alterar a conduta de intervenção, uma vez que tenha sido tomada.

Durante algum tempo, muitos pesquisadores não se questionaram se o uso de vasodilatadores não poderia retardar a progressão da insuficiência aórtica e ficou claro, até o momento, que nenhuma droga demonstrou essa capacidade.

O ecocardiograma é o exame de escolha para estabelecer o diagnóstico, avaliar a gravidade e possíveis repercussões. Em casos de gravidade discreta, a repetição do exame pode se dar de 3-3 anos, chegando a casos mais severos com repetição a cada 6 meses ou em caso de mudança de sintomatologia. Casos severos devem ser orientados a não realizar atividade física de alta intensidade, nem competitiva.

Para aqueles considerados inoperáveis ou que sejam paliativos, o tratamento para insuficiência cardíaca deve ser agressivo e otimizado, principalmente na presença de queda da fração de ejeção. Para os outros casos sintomáticos (estágio D), a indicação de troca valvar cirúrgica é bem estabelecida na literatura, bem como na presença de queda da fração de ejeção ou dilatação da cavidade ventricular (estágio C2).

Tratamento intervencionista

O questionamento de qual procedimento realizar é semelhante os da estenose aórtica, com menores evidências para a correção percutânea, até o momento. Indivíduos jovens (<50 anos) devem ter implante de prótese mecânica, salvo em contraindicação ao anticoagulante, enquanto os idosos (>70 anos), devem receber prótese biológica.

Alterações do ritmo cardíaco devem ser agressivamente tratados, visando sempre a preservação do ritmo sinusal, já que fibrilação atrial é pouco tolerado nesse grupo de pacientes.

Aqui vale ressaltar a indicação combinada de intervenção na valva aórtica insuficiente e na raiz de uma aorta dilatada. As indicações da valva permanecem as mesmas, mas situações em que encontramos aorta ascendente acima de 55mm (50mm em algumas referências) ou acima de 50mm (45mm em algumas referências) nos portadores de doença bivalvar ou distúrbios do tecido conjuntivo.

Embora sejam poucos os relatos na literatura, quando comparados ao tratamento da estenose, o tratamento percutâneo com implante de prótese transcateter pode ocorrer, mas ainda é off-label e não aprofundaremos nesse tema. Se quiser saber mais clique aqui.

Literatura sugerida:

1 – Otto CM, Bonow RO. A Valvular Heart Disease – A companion to Braunwald’s Heart Disease. Fourth Edition, 2014.

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