Estenose Mitral

Como explicado na nossa postagem anterior, a estenose mitral é ocasionada pelo surgimento de um gradiente diastólico entre átrio esquerdo e ventrículo esquerdo devido a uma redução da área valvar mitral por diversos motivos.

Essa elevação de pressão repercute no interior do átrio e retrogradamente nos venocapilares pulmonares. Por não existir válvula nessa topografia anatômica, a hipertensão gerada pode, inclusive, ser notada na artéria pulmonar, desenvolvendo hipertensão arterial pulmonar secundário a uma elevação da pressão atrial esquerda.

Tratamento Clínico

Como nas demais valvopatias, a indicação de uso de medicamentos não deve mudar a indicação de adequada intervenção, nem mesmo proporcionar mudança na classificação clínica pela melhora de sintomas. O uso se da como ponte para alívio sintomático até a solução intervencionista proposta.

Na estenose mitral, o objetivo é facilitar o escoamento do átrio esquerdo e para tal, torna-se interessante alongar o tempo diastólico e reduzir a pré-carga. Logo, o uso de diuréticos e betabloqueadores podem alcançar esse objetivo.

Pacientes com etiologia reumática devem receber profilaxia secundária para febre reumática com o uso de penicilina benzatina de 21 em 21 dias até pelo menos os 40 anos de idade. Àqueles expostos a crianças ou que apresentem ocorrência frequente de amigdalites bacterianas devem fazer uso dessa profilaxia pela vida toda.

Pacientes com estenose mitral reumática que desenvolvem fibrilação atrial tem indicação clara de uso de anticoagulantes orais e o único permitido nesses pacientes é o antagonista da vitamina k. Os novos anticoagulantes são contraindicados, até o momento, nesse grupo de pacientes.

Pacientes que desenvolvem estenose mitral por degeneração calcífica compõem uma exceção no tratamento das valvopatias. Por serem pacientes de alto risco cirúrgicos e tecnicamente o procedimento de troca valvar ser complexo e cheio de eventos adversos, o tratamento inicial é clínico com diuréticos e betabloqueadores. Em caso de sintomatologia importante, mesmo em uso desses medicamentos, discute-se em ambiente de Heart Team a abordagem intervencionista adequada, se convencional ou percutânea.

Literatura sugerida:

1 – Otto CM, Bonow RO. A Valvular Heart Disease – A companion to Braunwald’s Heart Disease. Fourth Edition, 2014.

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